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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Resenha do Novo EP do U2, Days Of Ash, na visão de uma fã da banda

 


Essa resenha tem toques de "opinião/relato pessoal de fã-nática" com informações relevantes e oficiais. Pois bem, hoje os fãs do U2 tiveram uma baita surpresa em plena quarta feira de cinzas - e existe até uma brincadeira bem brasileira que fala que "o ano começa de verdade depois do carnaval": a banda lançou oficialmente, nas plataformas oficiais, o EP Days of Ash (na tradução, "Dias de Cinzas" - literalmente em referência ao dia de hoje).

Para quem não sabe, o EP ("Extended Play") é um formato de gravação musical intermediário, contendo mais músicas que um single, mas menos faixas do que um álbum completo (LP - "Long Play"). Geralmente, possui de 3 a 7 faixas, com duração total inferior a 30 minutos, sendo usado para lançar músicas novas, experimentar sonoridades ou manter o público engajado. 


Days Of Ash é um EP altamente politizado, que nos faz remeter aos sons que o U2 fez no álbum War, de 1983 (que trouxe hinos como Sunday Bloody Sunday e New Year's Day). Há também algumas sonoridades que lembram lançamentos mais recentes, como o último álbum de inéditas da banda, Songs Of Experience de 2017.

Observação: se você que está lendo é daqueles que se dizem fãs do U2, mas que ficam reclamando pra eles não focarem tanto em política, sinceramente - você não é fã coisa nenhuma pois fã de verdade conhece a história da banda e a influência política na vida e na música de cada um de seus integrantes.

É um EP sombrio, com conteúdo que eu considero pesado mas é realista pois envolve todos os pavorosos acontecimentos dos últimos tempos. Uma bela resposta aos questionadores de plantão que andaram falando abobrinhas na internet, dizendo que a banda nunca se manifestou sobre o que está acontecendo nos EUA, no Irã, nas guerras de Israel contra a Palestina e da Russia contra a Ucrânia.

As faixas do EP (05 canções e um poema) são sombrias, mas falam também de pontas de esperança para o mundo. Em comunicado, Bono afirmou que as novas músicas têm clima diferente do álbum que a banda prepara para ainda este ano. Segundo ele, as faixas “não podiam esperar” para ser lançadas. “São canções de desafio, consternação e lamento”, escreveu o vocalista, reforçando que tempos “loucos e enlouquecedores” exigem posicionamento.

Vamos de um faixa a faixa, com o que tem por trás de cada canção de Days Of Ash?


A primeira faixa já é uma porrada: "American Obituary" (Obituário americano, em tradução) abre o EP de forma amplamente roqueira, com a pegada que remete às canções de protesto do álbum War (1983) e o estilo único das guitarras de The Edge. A letra é uma resposta à morte de Renee Good,  cidadã americana e mãe de três filhos que foi baleada de forma brutal em Minneapolis, em 07 de janeiro de 2026, durante um protesto contra o ICE, departamento de imigração dos EUA que se tornou violento e mal-visto sob a administração de Donald Trump.

Na canção, Bono critica o fato de Renee ter sido rotulada de "terrorista doméstica", questiona a "morte do significado das palavras", da verdade na democracia americana (que diga-se de passagem, a democracia se perdeu no governo atual americano) e ainda faz uma celebração à vida de Renee.


A segunda faixa do EP, "The Tears Of Things" (As lágrimas das coisas, em tradução), é inspirado em um livro do frei franciscano Richard Rohr. Essa canção utiliza os profetas judeus como base para refletir sobre como viver com compaixão em tempos de puro ódio e violência.

Aqui, o U2 imagina um diálogo entre o David de Michelangelo e seu criador, onde o jovem herói se recusa a se tornar um "Golias" para vencer o inimigo. Na letra, Bono faz duras críticas ao fundamentalismo religioso existente no mundo pois "quando as pessoas andam por aí falando com Deus, isso sempre termina em lágrimas".


A terceira faixa do EP, "Song Of The Future" (Canção do futuro, na tradução) é uma homenagem ao movimento "Woman, Life, Freedom" (Mulher, Vida, Liberdade) no Irã.


A quarta faixa, "Wildpeace" (Paz Selvagem, na tradução) na verdade não é uma canção de fato mas sim uma espécie de interlúdio no meio do EP com palavra falada, ou seja, uma spoken word. Trata-se de um poema do poeta israelense Yehuda Amichai, que é lido pela cantora Adeola em cima de uma ambientação criada pelo U2 em parceria com o produtor Jacknife Lee.


A quinta faixa, "One Life At a Time" (Uma vida de cada vez, na tradução), é dedicada ao professor e ativista palestino Awdah Hathaleen, morto por um colono israelense na Cisjordânia em 2025.


A sexta e última faixa desse EP, "Yours Eternally" (Eternamente seu, na tradução) é uma parceria do U2 com o cantor britânico Ed Sheeran e Taras Topolia, que faz parte da banda ucraniana Antytila e lutou na linha de frente da guerra com a Rússia.


CONSIDERAÇÕES SOBRE DAYS OF ASH...

É um EP surpreendente do começo ao fim. Me faz lembrar muito do U2 dos primeiros álbuns pela sonoridade - para quem nunca ouviu, escutem os três primeiros álbuns lançados pela banda: Boy (1980), October (1981) e War (1983). Vocês vão entender do que estou falando e vão se surpreender também.






sábado, 9 de abril de 2016

Relembrando: U2 360º Tour

Gente, não sei se vocês sabem...hoje (09 de abril de 2016) fazem exatos 05 anos da primeira vez que eu vi minha banda do coração, o U2, ao vivo aqui no Brasil durante a turnê 360º. Bateu uma saudade tão grande que resolvi relembrar - fazendo pequenas adaptações de tempo - o relato que fiz em um antigo blog meu que nem existe mais pra falar daquele dia tão especial.


Fim de Show...U2 saindo do palco. Foi a única foto que consegui tirar com os 04 juntos :P


09 de abril de 2011: Há 05 anos, bate uma nostalgia dentro de mim. Eu nem sonhava em ser fotógrafa nessa época (pra mim, fotografia era um hobby, uma diversão e não um início de carreira profissional, como agora), mas nesse dia, bateu uma inveja dos fotógrafos e da imprensa presente por um único motivo: era o show dos meus maiores ídolos e eu os veria pela primeira vez ao vivo: U2.

Mesmo assim, foi inesquecível. Como diz uma canção deles, “She’s gonna dream out loud”. E eu sonhei tanto em voz alta que realizei esse sonho, o maior da minha vida. E eu lembro de muitas coisas daquele dia como se fosse hoje.



Estava combinada num revezamento com algumas amigas que já se encontravam no Morumbi desde o dia 08 a noite, e eu só podia ir dps das 04 da manhã. Pois 04:40 da manhã eu estava no Metrô, numa viagem de 02 horas rumo ao estádio do Morumbi - eu moro literalmente do lado oposto da cidade e mal chegou o metrô por esses lados. Cheguei e encontrei as meninas as 06 da manhã (se não fosse o TCC da faculdade, eu teria ido acampar na porta do Morumbi).

Foi uma espera muito intensa, com várias situações inusitadas, engraçadas e cansativas. Mas quando abriram-se os portões do Morumbi, passei a revista…corri como nunca tinha corrido em toda a minha vida (apesar do cansaço). Eu já estava perdida das minhas amigas (pois na hora de passar o ingresso, a máquina de leitura do cara que tava comigo quebrou! aff) mas corri de toda a forma possível, num restinho de força que eu ainda tinha pra conseguir um bom lugar. Quando dei por mim, estava no INNER CIRCLE (Círculo Interno), um pouco mais pra lateral aonde ficaria o guitarrista The Edge e….NA GRADE!!!

Só sei que a espera até a hora de começar o show do U2 foi bem longa. Pra ser mais exata, os portões abriram as 15h….o show do Muse (Abertura) começaria só as 20h. E choveu, parou de chover…mil e uma coisas, mas aguentei alí, firme e forte e com um pensamento: Faltava algumas horas pra quebrar o jejum de 13 anos sem ver o U2 ao vivo…era o 1º show deles que veria na minha vida,ainda mais no mês do meu aniversário! Eu tava ali e precisava aguentar….só me permitiria passar mal depois que o show do U2 acabasse,lá pela meia noite. Além de curtir muito o show, eu queria registrar os momentos de qualquer maneira – mesmo com uma câmera automática da Samsung e meu celular touchscreen (eu tinha um Samsung Corby na época).








Mas as 21h e 40 minutos o relógio que fazia a contagem regressiva pro show do U2 se desmanchou na tela. E a 1ª música antes da entrada oficial da banda pro palco foi “Trem das Onze” do Adoniran Barbosa. Você já imaginou 90 mil pessoas cantando “Trem das Onze” no estádio do Morumbi? Em um show de rock? É, isso aconteceu e eu era uma dessas milhares de pessoas. Logo após, a música de “entrada” do U2: Space Oddity do David Bowie. É, nós havíamos embarcado na louca estação espacial dos meus amores irlandeses.

















Infelizmente a câmera que eu usava no dia não me ajudou 100% no quesito “tirar fotos decentes” e eu logo parti para os vídeos – sempre que dá saudades do show, eu os vejo. Tenho bastante fotos mandadas por amigas e que busquei na web também. Mas uma coisa não posso negar: foi O SHOW DA MINHA VIDA. Um presente e tanto de aniversário antecipado (já que eu faço aniversário no final de abril). Mas são situações que me traz muitas lembranças boas através das fotos e vídeos e por isso quis compartilhar com vocês...foi um sábado que nunca mais vai sair da minha memória.