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sexta-feira, 3 de abril de 2026

Resenha do Novo EP do U2, Easter Lily, na visão de uma fã da banda

E a minha banda do coração lança mais uma surpresa nesse ano de 2026, em plena sexta feira santa. Depois de "Days Of Ash", lançado em plena quarta feira de cinzas desse ano, o U2 lançou de surpresa hoje um novo EP, chamado "Easter Lily", com seis músicas inéditas, que funcionam como uma espécie de contraponto ao politicamente carregado EP anterior.

Intimista, espiritual e profundamente humano, Easter Lily apresenta um U2 disposto a falar sobre amizade, perda, fé e renovação sem transformar essas questões em respostas fáceis. Enquanto Days of Ash observava as crises do mundo exterior, Easter Lily volta o olhar para dentro. A pergunta central parece ser: onde encontrar forças quando tudo ao nosso redor transmite instabilidade, violência e desesperança?

Produzido por Jacknife Lee, o trabalho preserva características marcantes do U2 — guitarras atmosféricas, melodias expansivas e letras que procuram algum tipo de transcendência —, mas evita soar como uma simples repetição do passado. São composições que respiram, crescem gradualmente e deixam espaço para dúvidas, silêncios e fragilidades.

Qual é o significado de Easter Lily, do U2?

“Easter lily” é o nome em inglês do lírio-da-páscoa, flor tradicionalmente associada à pureza, ao renascimento e à ressurreição. Esses símbolos atravessam todo o EP.

Entretanto, o U2 não trata a fé como uma certeza confortável. As músicas discutem o que significa acreditar em alguma coisa quando a religião pode ser usada para dividir pessoas, quando os relacionamentos são pressionados pelas dificuldades e quando as imagens de guerras chegam diariamente pelas telas.

De acordo com a apresentação oficial publicada pelo U2, o projeto nasceu de perguntas pessoais sobre amizade, religião, rituais e a possibilidade de renovação. O resultado não é exatamente um disco religioso, mas uma obra sobre a busca humana por sentido.

LEIA TAMBÉM: "Resenha do Novo EP do U2, Days Of Ash, na visão de uma fã da banda"

Easter Lily: veja o faixa a faixa do novo EP dos irlandeses


1. “Song for Hal”


O EP começa com uma ausência. “Song for Hal” é uma homenagem ao produtor musical Hal Willner, amigo da banda que morreu em 2020 durante a pandemia de Covid-19.

A escolha de The Edge como vocalista principal torna a faixa ainda mais especial. Sua interpretação é contida e vulnerável, evitando qualquer excesso dramático. Em vez de transformar o luto em espetáculo, a música preserva a sensação íntima de uma conversa interrompida.

A sonoridade também estabelece o clima de Easter Lily. As guitarras criam uma paisagem melancólica, enquanto baixo, bateria e elementos eletrônicos avançam com delicadeza. É uma abertura sobre saudade, mas também sobre a forma como alguém continua presente depois de partir.

“Song for Hal” mostra que o U2 ainda consegue trabalhar com grandes sentimentos sem depender obrigatoriamente de grandes gestos. A emoção está justamente na contenção.

2. “In a Life”


Se a primeira música fala sobre perder um amigo, “In a Life” lembra por que as amizades precisam ser valorizadas enquanto ainda há tempo. É uma celebração dos vínculos que sobrevivem aos anos, às mudanças e às dificuldades.

Dentro da história do U2, esse tema ganha um significado adicional. Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen Jr. atravessaram juntos quase cinco décadas de carreira, que serão completadas no dia 25 de setembro desse ano. Por isso, a canção pode ser entendida tanto como uma reflexão universal quanto como um diálogo entre os próprios integrantes.

Musicalmente, “In a Life” cresce aos poucos. A interpretação de Bono começa reflexiva e ganha intensidade conforme os instrumentos ampliam o alcance emocional da composição. O refrão recupera uma característica essencial do U2: a capacidade de transformar uma experiência pessoal em algo que parece pertencer a todos.

É uma das faixas mais emocionantes do EP porque reconhece uma verdade simples, frequentemente esquecida: nenhuma amizade deve ser tratada como garantida.

3. “Scars”


“Scars” muda a energia do disco. Com uma sonoridade mais pulsante e referências que remetem ao pós-punk, a faixa fala sobre aceitar as próprias marcas em vez de escondê-las.

As cicatrizes aparecem como evidências de sobrevivência, erros e experiências que ajudaram a construir uma identidade. A mensagem poderia facilmente cair em um discurso genérico de autoajuda, mas a banda acrescenta uma dimensão religiosa e política ao lembrar as feridas de Cristo — provocadas pela combinação entre o poder do Estado e a autoridade religiosa.

A produção mantém o equilíbrio entre o rock e a eletrônica. A guitarra de The Edge surge com textura e precisão, enquanto Adam Clayton e Larry Mullen Jr. criam uma base firme. Entre as seis músicas, “Scars” é uma das que mais claramente apontam para um U2 interessado em recuperar energia sem abandonar a experimentação.

É também a faixa mais direta de Easter Lily: não existe vida sem marcas, e fingir perfeição pode ser muito mais destrutivo do que assumir as próprias falhas.

4. “Resurrection Song”


Embora tenha sido lançada em 2026, “Resurrection Song” começou a nascer cerca de dez anos antes, a partir de uma demo desenvolvida por The Edge e Jacknife Lee. A ideia permaneceu guardada até encontrar sua forma definitiva com a participação de toda a banda.

O próprio U2 descreve a música como uma peregrinação ou uma viagem rumo ao desconhecido ao lado de um amigo ou de alguém amado. A ressurreição mencionada no título não precisa ser entendida apenas de maneira religiosa. Ela também pode representar a decisão de continuar, recomeçar e abandonar versões antigas de nós mesmos.

A bateria de Larry Mullen Jr. é um dos destaques. Sua execução impulsiona a faixa e dá movimento à sensação de jornada. As guitarras constroem uma atmosfera ascendente, criando a impressão de que a música está permanentemente procurando uma abertura no horizonte.

“Resurrection Song” reúne vários elementos clássicos do U2 — espiritualidade, esperança e melodias crescentes —, mas os apresenta com convicção suficiente para não parecer apenas nostálgica. É um dos momentos mais fortes do EP.

5. “Easter Parade”


Com mais de seis minutos, “Easter Parade” é a faixa mais extensa e contemplativa do repertório. A música aborda fé, dúvida, renascimento e transcendência, funcionando quase como uma celebração litúrgica transformada em rock.

A composição passou por um processo longo. Segundo The Edge, sua primeira versão parecia reciclar ideias antigas da banda, até que Bono e Jacknife Lee encontraram uma abordagem capaz de renová-la. Essa transformação pode ser percebida no resultado: existem elementos familiares, mas a música não tenta simplesmente recriar um momento específico da discografia do U2.

“Easter Parade” avança lentamente, permitindo que cada camada encontre seu espaço. A guitarra, os teclados e a seção rítmica criam uma sensação de movimento coletivo, como se a faixa acompanhasse uma procissão.

Sua espiritualidade não elimina as incertezas. Pelo contrário, a canção sugere que acreditar talvez não seja possuir todas as respostas, mas continuar procurando alguma luz em meio ao trauma e à confusão.

6. “COEXIST (I Will Bless the Lord at All Times?)”


O encerramento de Easter Lily é também seu momento mais experimental. “COEXIST (I Will Bless the Lord at All Times?)” nasceu a partir de uma paisagem sonora criada por Brian Eno, colaborador fundamental em diferentes fases da carreira do U2.

A música é descrita pela banda como uma canção de ninar para pais de crianças presas em regiões de guerra. Essa definição já revela o contraste que sustenta a faixa: existe ternura, mas ela está cercada pelo medo.

Bono adota uma interpretação mais livre, quase improvisada, enquanto os teclados e elementos eletrônicos de Eno e Jacknife Lee constroem uma atmosfera suspensa. A ausência de uma estrutura tradicional reforça o sentimento de desorientação.

O ponto de interrogação presente no título é decisivo. A frase “I Will Bless the Lord at All Times?” deixa de ser apenas uma declaração de fé e se torna uma pergunta: ainda é possível louvar, acreditar ou encontrar sentido diante do sofrimento de crianças e famílias atingidas pela guerra?

É um encerramento inquietante e muito bonito. Em vez de concluir o EP com uma resposta triunfal, o U2 termina deixando uma questão no ar.

Algumas considerações dessa fã que vos posta...

O U2 reencontra a sua força com o EP Easter Lily? Sim, mas não é da forma que muitos imaginam. O novo EP não tenta competir com a grandiosidade de discos como The Joshua Tree, Achtung Baby ou All That You Can’t Leave Behind. Sua força está em outra direção: na intimidade, na maturidade e na disposição de enfrentar perguntas que não possuem soluções simples.

O EP também mostra os quatro integrantes funcionando novamente como uma unidade. The Edge assume os vocais em “Song for Hal”, Adam Clayton dá profundidade às composições, Larry Mullen Jr. oferece alguns dos momentos rítmicos mais marcantes do trabalho e Bono encontra interpretações menos preocupadas com o impacto imediato.

Jacknife Lee costura essas contribuições com uma produção moderna, mas sem apagar a identidade da banda. Já Brian Eno deixa sua marca justamente na faixa mais ousada do projeto.

Com apenas seis músicas, Easter Lily apresenta uma narrativa bastante coesa: começa no luto, passa pela amizade e pela aceitação das cicatrizes, procura uma ressurreição e termina diante das contradições entre fé e sofrimento.

É um EP incrível de se ouvir. Confesso que em um primeiro momento, após ouvir o EP anterior, eu estranhei algumas canções presentes nesse lançamento. Mas à medida que escutei mais vezes e fui entendendo cada palavra e cada sonoridade, vi a grandiosidade de Easter Lily.

Easter Lily é um disco sobre continuar acreditando — nas amizades, na possibilidade de mudança e na própria música — mesmo quando acreditar se torna difícil. Em vez de esconder suas cicatrizes, o U2 decide transformá-las em matéria-prima para um novo começo.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Resenha do Novo EP do U2, Days Of Ash, na visão de uma fã da banda

 


Essa resenha tem toques de "opinião/relato pessoal de fã-nática" com informações relevantes e oficiais. Pois bem, hoje os fãs do U2 tiveram uma baita surpresa em plena quarta feira de cinzas - e existe até uma brincadeira bem brasileira que fala que "o ano começa de verdade depois do carnaval": a banda lançou oficialmente, nas plataformas oficiais, o EP Days of Ash (na tradução, "Dias de Cinzas" - literalmente em referência ao dia de hoje).

Para quem não sabe, o EP ("Extended Play") é um formato de gravação musical intermediário, contendo mais músicas que um single, mas menos faixas do que um álbum completo (LP - "Long Play"). Geralmente, possui de 3 a 7 faixas, com duração total inferior a 30 minutos, sendo usado para lançar músicas novas, experimentar sonoridades ou manter o público engajado. 


Days Of Ash é um EP altamente politizado, que nos faz remeter aos sons que o U2 fez no álbum War, de 1983 (que trouxe hinos como Sunday Bloody Sunday e New Year's Day). Há também algumas sonoridades que lembram lançamentos mais recentes, como o último álbum de inéditas da banda, Songs Of Experience de 2017.

Observação: se você que está lendo é daqueles que se dizem fãs do U2, mas que ficam reclamando pra eles não focarem tanto em política, sinceramente - você não é fã coisa nenhuma pois fã de verdade conhece a história da banda e a influência política na vida e na música de cada um de seus integrantes.

É um EP sombrio, com conteúdo que eu considero pesado mas é realista pois envolve todos os pavorosos acontecimentos dos últimos tempos. Uma bela resposta aos questionadores de plantão que andaram falando abobrinhas na internet, dizendo que a banda nunca se manifestou sobre o que está acontecendo nos EUA, no Irã, nas guerras de Israel contra a Palestina e da Russia contra a Ucrânia.

As faixas do EP (05 canções e um poema) são sombrias, mas falam também de pontas de esperança para o mundo. Em comunicado, Bono afirmou que as novas músicas têm clima diferente do álbum que a banda prepara para ainda este ano. Segundo ele, as faixas “não podiam esperar” para ser lançadas. “São canções de desafio, consternação e lamento”, escreveu o vocalista, reforçando que tempos “loucos e enlouquecedores” exigem posicionamento.

Vamos de um faixa a faixa, com o que tem por trás de cada canção de Days Of Ash?


A primeira faixa já é uma porrada: "American Obituary" (Obituário americano, em tradução) abre o EP de forma amplamente roqueira, com a pegada que remete às canções de protesto do álbum War (1983) e o estilo único das guitarras de The Edge. A letra é uma resposta à morte de Renee Good,  cidadã americana e mãe de três filhos que foi baleada de forma brutal em Minneapolis, em 07 de janeiro de 2026, durante um protesto contra o ICE, departamento de imigração dos EUA que se tornou violento e mal-visto sob a administração de Donald Trump.

Na canção, Bono critica o fato de Renee ter sido rotulada de "terrorista doméstica", questiona a "morte do significado das palavras", da verdade na democracia americana (que diga-se de passagem, a democracia se perdeu no governo atual americano) e ainda faz uma celebração à vida de Renee.


A segunda faixa do EP, "The Tears Of Things" (As lágrimas das coisas, em tradução), é inspirado em um livro do frei franciscano Richard Rohr. Essa canção utiliza os profetas judeus como base para refletir sobre como viver com compaixão em tempos de puro ódio e violência.

Aqui, o U2 imagina um diálogo entre o David de Michelangelo e seu criador, onde o jovem herói se recusa a se tornar um "Golias" para vencer o inimigo. Na letra, Bono faz duras críticas ao fundamentalismo religioso existente no mundo pois "quando as pessoas andam por aí falando com Deus, isso sempre termina em lágrimas".


A terceira faixa do EP, "Song Of The Future" (Canção do futuro, na tradução) é uma homenagem ao movimento "Woman, Life, Freedom" (Mulher, Vida, Liberdade) no Irã.


A quarta faixa, "Wildpeace" (Paz Selvagem, na tradução) na verdade não é uma canção de fato mas sim uma espécie de interlúdio no meio do EP com palavra falada, ou seja, uma spoken word. Trata-se de um poema do poeta israelense Yehuda Amichai, que é lido pela cantora Adeola em cima de uma ambientação criada pelo U2 em parceria com o produtor Jacknife Lee.


A quinta faixa, "One Life At a Time" (Uma vida de cada vez, na tradução), é dedicada ao professor e ativista palestino Awdah Hathaleen, morto por um colono israelense na Cisjordânia em 2025.


A sexta e última faixa desse EP, "Yours Eternally" (Eternamente seu, na tradução) é uma parceria do U2 com o cantor britânico Ed Sheeran e Taras Topolia, que faz parte da banda ucraniana Antytila e lutou na linha de frente da guerra com a Rússia.


CONSIDERAÇÕES SOBRE DAYS OF ASH...

É um EP surpreendente do começo ao fim. Me faz lembrar muito do U2 dos primeiros álbuns pela sonoridade - para quem nunca ouviu, escutem os três primeiros álbuns lançados pela banda: Boy (1980), October (1981) e War (1983). Vocês vão entender do que estou falando e vão se surpreender também.






sexta-feira, 2 de junho de 2017

Guilherme de Sá - estréia da turnê "Íngreme" (Teatro Gamaro) - 22.05.2017

 Mais um dia de shows pra minha conta de fotógrafa.

Tive a HONRA de fotografar a estréia da turnê Íngreme, CD solo do Guilherme de Sá (vocalista do Rosa de Saron). Muito diferente do que ele faz com a banda, mas com a essência de quem ele é como artista. Me emocionei demais nesse show.


















































Atualização Junho/2023: As fotos foram respostadas com arte e logo atuais (em 2017 eu assinava minhas fotos como "Juliana MS Fotografia").