18 de novembro de 2015

Poesia...História de Amor...Um Pas de Deux

Por Camila Veiga - Revista Dança Brasil

Te encontro nas entrelinhas do passo
na poesia do corpo
no teu abraço
no silêncio da alma
no teu encalço
E me perco pra te pertencer novamente
eu te vejo e obscureço a mente
porque te desejo e te quero ausente

É na música que me rouba os sentidos
e me encanta o beijo assim esquecido
num canto dos lábios enternecidos

É querência que não finda
silêncio que nos cala ainda
palavra incerta e linda
Um dois três, um...
...dois três um...
...dois três um...

Só palavra
Só verso
Só valsa


E se o poema fosse um ballet...e se esta dança fosse uma história...como "Giselle" ou "O Lago dos Cisnes", eu talvez o chamaria, "Intensidade". História que seria contada em dois atos:

Um príncipe. Uma princesa.
Pertencentes a reinos distantes um do outro, marcados por guerras e conflitos durante gerações, até que decidem viver em paz. A união de dois povos selada em uma grande festa na corte.

Príncipe e princesa que nunca tinham se visto, agora trocam olhares tímidos, curiosos e, inexplicavelmente cheios da paixão que os arrebata à primeira vista. Mas ele tem seu destino fadado ainda pequeno, quando fora prometido por seu pai, à feiticeira do reino, em troca do poder concedido pelas trevas através da mágica. E assim amaldiçoado, nunca poderia se entregar àquela paixão de corpo e alma. A princesa, em seu coração puro, nunca havia provado daquele sentimento, apaixonada. Apavorada por tal arrebatamento, foge.

Mas é na calada da noite que o jovem casal se reencontra e sufocados pelo desejo, ele e ela, sucumbem ao amor. E clandestinos se amam. E amantes, se perdem entre abraços e juras inconsequentes...um pas de deux. Dois corpos. Um único movimento. Uma jura de amor, um pedido de casamento, o clímax. A cumplicidade entre eles precisa transceder a carne, a poesia precisa transceder o olhar.

Apaixonados na arte, no passo. No contrapasso, no intervalo entre notas e gestos, no silêncio preenchido pelo corpo. Só assim, somente assim pode ser um pas de deux. Um passo de dois...Fim do primeiro ato.


E no segundo ato...o príncipe decidido a abdicar do trono por sua amada, rompe com o rei e vai embora. A princesa o espera à beira do lago, sob a lua cheia e protetora. Mas a feiticeira aparece, os flagra enquanto se amam e, cheia de ira e rancor, tira-o dos braços dela e o enclausura na masmorra, no alto da colina, preso a pesadas correntes que não podem ser quebradas. E quando tudo parece estar perdido, a destemida princesa sai em busca do seu amor, disposta a enfrentar todos os perigos para estar com ele. Ela finalmente o encontra. E se beijam, ardentes... Porém, enfeitiçados os lábios dele estavam e ao tocarem os lábios dela liberam veneno mortal...

Aí peço licença, e para o grand finale, empresto de Romeu e Julieta, terceiro ato, Prokofiev e suas notas perfeitas e trágicas. Porque nada mais romântico e intenso do que a tragédia dos desencontros do coração: da paixão, apenas possível no imponderável, do amor, apenas viável na eternidade...fim.

As cortinas se fecham. Aplausos e mais ovações. Bailarino e bailarina, príncipe e princesa renascem para os agradecimentos. Na memória recente do público, o ponto alto da paixão, o pas de deux. A performance do casal de bailarinos que eternizará esta história de amor.

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